Especialistas avaliam o novo Ensino Médio

11.02.2017

 A aprovação no Senado Federal da medida provisória que reforma o ensino médio no Brasil, ontem, já é tida como certa de ser implantada. Apesar de ainda depender da sanção do presidente da República, Michel Temer, o placar folgado de 43 a 13 a favor da bancada governista confirma essa expectativa.

Diante desse cenário, especialistas em educação já se preocupam com o que pode ser feito a partir do momento em que a MP estiver valendo oficialmente. Profissionais ouvidos pela reportagem concordam que o caminho da reforma, via medida provisória, não é o melhor, porém, acreditam que o modelo educacional em vigor está ultrapassado e deve ser modificado.

 

O conjunto de novas diretrizes para o ensino médio foi apresentadas pelo Governo Federal em 22 de setembro último. Durante esses mais de quatro meses, a medida foi alvo de protestos em todo o País. A MP foi elaborada pelo Ministério da Educação e defendida pelo titular da pasta, o pernambucano Mendonça Filho.

A reforma flexibiliza o conteúdo escolar, muda a distribuição das 13 disciplinas tradicionais ao longo de três anos e incentiva o ensino integral. Até 60% da carga horária será destinada ao ensino de disciplinas comuns a todos os alunos.

O restante será destinado ao aprofundamento em áreas específicas. O estudante poderá optar por uma entre cinco áreas: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica e profissional. O currículo completo será definido pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), ainda em elaboração.

 

“Nós temos uma situação insustentável. A questão da educação no Brasil tem se mostrado problemática, com todos seus indicadores em decesso”, afirma o professor universitário e consultor Otto Benar, que lamenta o fato de educação não ser prioridade no Brasil.

Apesar de criticar o uso de uma MP para a reforma, Benar, explica que a mudança “é mais do que urgente”. “Nos países do Primeiro Mundo, o ensino médio é preparação para a vida. Aqui é para o vestibular”, alfineta o professor. “Não sei se é a melhor solução. Mas não pode ficar do jeito que está.”

 

O presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Pernambuco (Sinepe), José Ricardo Diniz, também considera a aprovação positiva. “Tem que pensar daqui para a frente agora. Algo mais importante do que a própria reforma é a consolidação da BNCC”, exemplifica. “A MP não foi o caminho ideal. Mas temos que ver o lado prático e positivo.”

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