Cremepe vê problemas na saúde básica do Estado

27.07.2017

Das 129 unidades da atenção primária do Estado avaliadas pelos Conselhos Federal de Medicina (CFM) e Regional do Estado (Cremepe) entre 2015 e junho de 2017, 31 apresentaram mais de 100 irregularidades combinadas. O alerta sobre o sucateamento da porta de entrada do SUS em Pernambuco faz parte de um relatório das entidades que aponta problemas como a falta de itens básicos para o atendimento a pacientes, passando pela infraestrutura dos prédios e falhas na escala de profissionais.

 

Em todo País, foram fiscalizadas 2.936 unidades básicas e, em 65 delas, foram encontradas mais de 100 inconsistências. Em 36 locais fiscalizados não havia sequer consultório médico. 

 

“Nós temos varias unidades de saúde da família com problemas estruturais, de higiene, de segurança, déficit de recursos humanos, alguns sem a devida adequação para o acondicionamento de vacinas, falta de insumos. Isso tanto na Região Metropolitana quanto no Interior. A situação da atenção básica gera uma grande preocupação devido a sua importância fundamental na assistência à população”, enfatizou o presidente do Cremepe, André Dubeux.

 

Para ele, nas condições atuais alguns serviços colocam em xeque a assistência a pacientes hipertensos e diabéticos, que deveriam ser acompanhados na saúde básica, com monitoramento de dietas e dispensação de medicamentos. Além disso, as grávidas também estão expostas a falhas no acompanhamento. “Outra problemática é a assistência ao pré-natal, já que as gestantes não têm acompanhamento adequado. A repercussão disso é a gravidez de alto risco, prematuridade, morte e outras sequelas”, explicou Dubeux. 

 

Na lista das piores situações encontradas nos últimos dois anos pelos conselhos médicos estão duas Unidades da Saúde da Família (USF), da Cohab e do Centro de Altinho, no Agreste, fiscalizadas este ano. Na lista, estão ainda duas USFs (Alto da Maternidade e Pedreira Mangueira) da cidade de Moreno, na RMR, fiscalizadas em 2016. No mesmo ano, a USF Lagoa das Garças, em Jaboatão dos Guararapes, foi apontada como “superproblemática”. Já em 2015, foram atestados diversos problemas em quatro unidades do Recife. 

 

A Prefeitura de Altinho informou que vem se adequando com relação à infraestrutura dos prédios, assim como foi recomendado pelo MPPE da cidade, e que a construção de prédios próprios está em fase de licitação.

 

A secretária de Saúde de Moreno, Ana Araújo, disse que na mudança de gestão deste ano houve a recomposição de profissionais nas equipes de saúde, incluindo nos serviços apontados no relatório. O município também está com licitação para mutirão de reforma nas unidades.

 

Em Jaboatão, a prefeitura afirmou que se deparou com déficit de profissionais e problemas estruturais em 90% das Unidades de Saúde, caso da USF Lagoa das Graças. Para esta unidade foi negociada uma verba com o Ministério da Saúde para a construção de um prédio próprio. Até lá, a USF, que funciona em um imóvel alugado, passará por reforma emergencial. Para suprir a falta de profissionais haverá recomposição de quadros a partir de agosto. 

 

Na Capital, a gestão assinala que não recebeu o relatório do CFM, mas apontou que já sanou ou está em vias de sanar, problemas nas unidades citadas no estudo. A USF 227 Tasso Bezerra - Chie I foi desativada em junho de 2016 e substituída pela Upinha Dia Tasso Bezerra - Chié I e II, uma nova unidade construída no novo padrão de qualidade. 

 

Já a USF União das Vilas será realojada para outro imóvel com contrato de locação em fase de aprovação. As unidades José Severiano da Silva - Capile e Canal do Arruda e USF Ilha do Joaneiro I e II também já foram identificadas pela Secretaria de Saúde como fora do atual padrão de atendimento e novos imóveis estão sendo identificados para instalação. 

 

Paralisação
Médicos da atenção primária do Recife continuam de braços cruzados hoje para cobrar melhorias nos serviços. A mobilização tem duração de 48 h e, ontem, concentrou profissionais na USF da União das Vilas, que atualmente funciona em um contêiner, no bairro do Espinheiro. “Essa situação só e aceitável em situação de guerra ou calamidade.

 

 Está longe de ser adequada”, afirmou o presidente do Sindicato dos Médicos (Simepe), Tadeu Calheiros. Outra questão preocupante para a categoria é a segurança nos postos de saúde. Segundo Calheiros, já foram notificados nove crimes dentro dos serviços. 

 

A Secretaria de Saúde informou que há um canal de discussão sobre segurança nas unidades, com implantação de estratégias como a contratação de 44 vigilantes, além da nomeação de 379 guardas municipais. A PCR também informou que requalificou 112 unidades e 24 delas estão com reparos em curso. Sobre insumos e medicamentos, a secretaria informou que a programação orçamentária de 2017 é de R$ 47 milhões e que pontualmente é possível a ocorrência de desabastecimento temporário em decorrência dos prazos de entrega dos fornecedores. As informações são da FolhaPE.

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