Turismo de Pernambuco vai focar no mercado interno para retomada

29.04.2020

Principal fluxo de turistas estrangeiros em Porto de Galinhas é da Argentina. (Foto: Julio Jacobina/Arquivo DP)

 

O turismo de Pernambuco vem sofrendo os efeitos da pandemia do coronavírus e, além da medida do Brasil de proibir a entrada de estrangeiros - prorrogada ontem por mais 30 dias - para conter a disseminação da Covid-19, medidas de outros países também impactam no setor produtivo do estado. A Argentina anunciou uma das ações mais severas do mundo: a suspensão da compra e venda de passagens aéreas de voos comerciais até o dia 1 de setembro a partir, com destino ou dentro do país. Os argentinos representam 90% dos turistas estrangeiros que entram no estado e, como o retorno dos visitantes não será imediato no pós-pandemia, as ações de Pernambuco para alavancar o turismo vão focar no mercado estadual e brasileiro. Além disso, será lançado um selo para conceder a estabelecimentos, como hotéis, bares e restaurantes, que sigam os protocolos de segurança sanitária.

A Argentina proibiu a entrada de estrangeiros não-residentes desde o começo de março e, no dia 27 do mesmo mês, estendeu o fechamento das fronteiras também para argentinos para entrada nacional através de portos, aeroportos, travessias internacionais e centros de fronteiras. Neste mesmo dia, o Brasil havia fechado a fronteira aérea para barrar a entrada de estrangeiros no país. Essas medidas já impactaram diretamente o turismo de Pernambuco, que viu muitas de suas atividades hoteleiras suspensas. Neste primeiro momento sabemos que temos que tirar o foco dos turistas estrangeiros, não tem como atrair e é algo que vamos restabelecer aos poucos", afirma Rodrigo Novaes, secretário de Turismo de Pernambuco.

Justamente por conta desde cenário que ele acredita que a medida mais severa da Argentina, em proibir a compra e venda de voos até setembro, não será determinante no turismo local. "Não vai alterar o quadro geral. A gente já sabia que a atração de turistas estrangeiros, mesmo depois da pandemia, vai ser lenta. Então a estratégia é fazer com que os pernambucanos andem no seu estado e trabalhar com os principais mercados nacionais. Vamos também trabalhar para não perder o mercado internacional e acreditamos que no final do ano consiga equilibrar, restabelecer o número de voos e a volta dos turistas estrangeiros, com o aquecimento pelo verão e mês de férias", ressalta.

Segundo Rodrigo Novaes, hoje o estado mantém 10% dos voos que existiam antes da pandemia e nenhum voo internacional. De acordo com dados da Anan, Panrotas e Aeroin, o número de voos semanais no Brasil passou de 14.781 para 1.241 na malha emergencial, sendo 91,61% menor. No Nordeste são 153. Em abril, a previsão era de que seriam 168 voos com destino ao Recife e 170 saindo da capital pernambucana.

O secretário acredita que a retomada dos voos para o patamar anterior vai depender da volta da demanda. "O que vai ditar o comportamento das empresas aéreas é o próprio mercado. Se houver procura, vai voltar. Mas os voos ainda vão demorar. Porém a TAP já sinalizou retomar em junho três voos para Pernambuco. Ainda assim, acredito que inicialmente a procura não vai ser tão grande, vai demorar para retomar a ocupação. Por isso a retomada inicial será a partir do mercado interno, com Sudeste, Centro Oeste e estados vizinhos", acrescenta.

Selo
Rodrigo Novaes ainda ressaltou que as medidas de proteção vão continuar sendo adotadas pela cadeia do turismo mesmo depois que as medidas restritivas começarem a ser afrouxadas. "Estamos elaborando um selo para estabelecimentos do segmento, como bares, restaurantes e hotéis, para mostrar que eles estão respeitando os protocolos sanitários mesmo depois de afrouxar as medidas. Estamos discutindo com o trade e vendo as certificações, porque envolve outros órgãos,como Anvisa, Secretaria de Saúde do Estado e órgãos de fiscalização", conclui o secretário de Turismo de Pernambuco.

 

 

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